Ulisses (resumos 1)

 "Buck Mulligan limpou novamente sua navalha de barba.

   -- Ah; pobre corpodecão! -- disse ele com voz branda. -- Eu preciso te dar uma camisa e alguns traposnasais. Como está a calça de segunda mão?
   -- Ela está caindo bastante bem -- respondeu Stephen.
Buck Mulligan atacou a concavidade abaixo de seu lábio inferior.
   -- A ironia disso tudo -- disse ele satisfeito. -- Devia ser calça-de-segunda-perna. Só Deus sabe que alcoólatra sifilítico se desfez dela. Eu tenho uma com uma listra fina cinzenta. Você vai ficar elegante bela. Não estou brincando - disse Stephen. -- Se ela for cinzenta eu não posso usar.
   -- Ele não pode usá-la -- falou Buck Mulligan para o seu rosto no espelho. -- Etiqueta é etiqueta. Ele mata a mãe mas não pode usar calça cinzenta.
  Ele dobrou a navalha cuidadosamente e com batidinhas leve apalpou o rosto sentindo com os dedos a pele macia.
  Stephen virou seu olhar do mar para o rosto gorducho com seus olhos expressivos azulenfumaçados.
   -- Aquele camarada que eu encontrei no Ship ontem à noite -- disse Buck Mulligan -- disse que você tem p.g.i. Ele está lá em Dottyville com Connolly Norman. Paralisia geral do insano!
  Ele fez o espelho rodopiar em semicírculo no ar para lançar a notícia bem longe sob a luz do sol agora radioso sobre o mar. Deus lábios crispados e barbeador tiram assim como as pontas dos seus dentes brancos cintilantes. O riso se apoderou de todo bardo pavoroso!
  Stephen inclinou a cabeça para a frente e examinou o espelho, fendido por uma rachadura tortuosa, estendido para ele. Cabelo em pé. Como ele e outros me vêem. Quem escolheu este rosto para mim?  Este corpo de vão que tem de se livrar de vermes. Ele também me pergunta o mesmo."

Ulisses de James Joyce (tradução Bernadina da Silveira Pinheiro) 

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